Um imenso cansaço caracteriza os portugueses neste tempo de crise e de pouca esperança. Basta andar em transportes publicos no final do dia de trabalho e estar atento às conversas, para se perceber que mais parecem lamúrias.
Há uma sensação geral de insegurança, de falta de perspectivas, até de uma certa forma de medo. Enfim, algo que se define em duas palavras: "sem futuro".
Os velhos já pouco têm, porque a Natureza a tal determina. Os jovens porque sentem que a geração dos seus pais lhes prepara uma pesadíssima herança. As crianças porque nem sequer têm quem cuide do seu futuro, consumido por antecipação...
É nesta neblina, nesta espécie de letargia do inevitável, que este povo, outrora grande, vai vivendo de estados de alma. Que apenas se atenuam, quando uma nesga de sol rompe o cinzento dos nossos dias.
Helena